Aquarela

Aquarela

A aquarela é uma das técnicas mais antigas de arte. Embora a aplicação de pigmentos misturados em água remeta ao período Paleolítico, foi com Albrecht Dürer, no início do Renascimento, que os fundamentos técnicos da aquarela ocidental começaram a ser estabelecidos. No entanto, a ascensão da pintura a óleo ofuscou o espaço da aquarela nas obras de arte quase que completamente. Mesmo assim, ela jamais desapareceu; pelo contrário, tornou-se, quase que em segredo, o alicerce essencial para o planejamento e rascunhos das grandes obras a óleo que atravessaram a história.  

Com o tempo, o olhar da sociedade voltou-se novamente para a técnica, impulsionado pela paixão da nobreza britânica, que passou a colecionar aquarelas fervorosamente. Para consolidar ainda mais essa mídia como forma de se fazer arte, fundou-se, em 1804, a Society of Painters in Water Colours, sociedade de aquarelistas que rivalizava em popularidade com os pintores a óleo. Foi nesse cenário que se desenvolveu a tradicional técnica inglesa, base do trabalho que realizamos hoje no Núcleo de Ilustração Científica da UnB (NICBIO). 

A ascensão das técnicas inglesas coincidiu com a “Era de Ouro” das expedições científicas. A facilidade de transporte, a agilidade em capturar a complexidade cromática dos modelos e a ausência de solventes tóxicos fizeram da aquarela o pilar dos registros naturalistas. Até hoje, ela permanece protagonista na ilustração científica, seja pela sua funcionalidade, seja pela beleza singular e vibrante de suas transparências.

Autor: Hugo Peñaloza
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